Instrução‎ > ‎História‎ > ‎

Chifre de Kudu

Chifre de Kudu

O kudu (Tregelaphus strepsiceros) é uma espécie de antílope cujo habitat vai desde a África do Sul á Etiópia. Um touro Kudu pode chegar a uma altura de 1,5 metros e tem uma coloração que vai de um cinzento avermelhado até quase azul. As suas características de visão aguçada, bom sentido de audição, olfacto apurado e grande velocidade fazem dele um animal difícil de capturar.
Seguindo uma tradição que remonta há 90 anos, as patrulhas são chamadas a reunir com o toque tradicional do chifre de kudu, durante os cursos da Insígnia de Madeira.
Pode parecer estranho que o chifre de um antílope africano, do tipo usado pelos Matabeles como clarim de guerra no século XIX, seja usado para chamar escoteiros e Chefes por esse mundo fora. Mas foi precisamente com um toque deste chifre que os primeiros escoteiros foram acordados. Quando reuniu os primeiros escoteiros em Brownsea, Baden-Powell lembrou-se do chifre de kudu que tinha trazido das guerras contra os Matabeles e usou-o para dar um toque de aventura e divertimento ao acampamento.

William Hillcourt, um dos grandes pioneiros do escotismo, o mesmo que escreveu o resumo da história de BP no final do «Escotismo para Rapazes», descreve assim a primeira alvorada em Brownsea: "O dia começou ás 6h da manhã, quando B-P acordou o acampamento com o som esquisito do longo chifre de kudu em espiral - o clarim de guerra que tinha trazido da sua expedição à floresta de Somabula durante a Campanha Matabele de 1896".

John Thurman, grande nome do escotismo britânico, conta como BP conheceu o chifre de kudu: "Como coronel em África, em 1896, Baden-Powell comandou uma coluna militar na Campanha Matabele. Foi num raid pelo rio Shangani abaixo que ele primeiro ouviu o som do chifre de kudu. Ele andava confundido pela rapidez com que os alarmes eram espalhados entre os Matabeles, até que um dia se apercebeu que eles usavam o chifre de kudu, o qual tinha uma grande potência sonora. Era usado um código. Assim que o inimigo era avistado, o alarme era tocado no kudu, para todos os lados, e assim transmitido por muitas milhas em pouco tempo."
Depois da ilha de Brownsea, o chifre de kudu voltou para a casa de B-P, onde permaneceu silenciosamente durante 12 anos, enquanto que o movimento que ele anunciara se espalhava pelo mundo fora.
Então, em 1919, Baden-Powell entregou o chifre ao Parque de Gilwell para ser usado nos primeiros cursos para treino de Chefes. Dez anos mais tarde, aos 72 anos de idade, Baden-Powell levou consigo o chifre de kudu para a abertura do 3º Jamboree Mundial, em Arrowe Park, Birkenhead, Inglaterra, a 28 de Julho de 1929. Foi constatado, pela experiência de Arrowe Park, que fazer soar o chifre de kudu é um desafio.
Os resultados, no entanto, foram tão impressionantes quanto se poderia desejar, segundo as palavras de William Hillcourt: "O dia da abertura do 3º Jamboree Mundial começou com uma forte chuvada que aumentou com o passar do dia; mas, à hora prevista... o tempo tornou-se «ameno». B-P tinha trazido consigo para Arrowe Park o velho chifre de kudu dos dias da guerra com os Matabeles que tinha sido usado para acordar o acampados em Brownsea no primeiro acampamento de escoteiros do mundo e para abrir o primeiro curso para chefes no Parque de Gilwell. Levou-o aos lábios para dar um toque que haveria de ecoar pela extensa parada em frente dele, mas, com o excitamento, os lábios recusaram-se a fazer o que deviam. O som do chifre não passou de um fraco «pff». No entanto, como que chamados para a accão pelo chifre, a marcha começou, com os contingentes a desfilarem atrás de contingentes em frente da plateia, com as bandeiras de quase todos as nações civilizadas desfraldadas ao vento, com milhares de pessoas a aplaudirem cada nação entusiasticamente."
  Ouça o som do Chifre de Kudu