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Insígnia de Madeira

Insígnia de Madeira

Na primeira década do Movimento Escotista a formação dos dirigentes era feita de maneira assistemática e empírica: uma vez formada uma patrulha, os jovens tinham o costume de pedir a um irmão mais velho, ao pai, tio ou a um amigo que desempenhasse o papel de Chefe. Estava claro, no entanto, que não era suficiente treinar os rapazes, mas que os líderes precisavam também de treinamento. O general Sir Robert Lockhart, dirigente da Associação dos Escoteiros da Inglaterra, afirmou em 1954: "A formação é algo absolutamente vital, interessante e importante, porque o nosso Movimento é, acima de tudo, um Movimento de Formação."
Os pioneiros do Escotismo entenderam a utilidade e a urgência de que os líderes conheçam os seus objectivos e saibam como alcançá-los. James E. West, primeiro Escoteiro-Chefe dos Estados Unidos, definiu este problema quando, questinado sobre quais as três coisas que o Escotismo precisava , respondeu: "formação, formação, formação." O primeiro curso para a formação de escoteiros-chefes aconteceu em Londres, em 1910, realizando-se outros cursos durante os quatro anos anteriores à 1ª Guerra Mundial. Todos eles foram considerados experimentais, com muitas palestras e pouca actividade prática.

Baden-Powell procurava um local permanente para desenvolver a formação de dirigentes, fazendo os cursos funcionar como se fossem um grupo no sistema de patrulhas. Em 1919, W. de Bois MacLaren, amigo de Baden-Powell, adquiriu a área procurada, ao lado da floresta Epping, ao norte de Londres e o local foi chamado de Gilwell Park, em homenagem a Lord Baden-Powell of Giwell.

Entrada em Gilwell Park


A Insígnia de Madeira surge no Movimento Escotista pelas mãos de Baden-Powell, associada ao primeiro curso realizado em Gilwell Park, de 8 a 19 de Setembro de 1919. O símbolo da formação são duas pequenas contas de madeira, cópia de um velho colar presenteado a Baden-Powell por Dinizulu, rei Zulu, durante sua permanência na África Austral, em reconhecimento à superioridade guerreira e pelo tratamento digno dado ao rei e a seu povo. O colar de contas original encontra-se guardado na "Baden-Powell House" em Londres.
É um colar de aproximadamente 7 metros, com mais de 2000 contas de madeira, passadas em fogo, já que na sua origem a conta de madeira passada pelo fogo representava o tição do primeiro fogo aceso pelos antepassados. As contas foram esculpidas a partir de uma madeira africana de cor amarela e de medula macia, que deixava um pequeno entalhe natural em cada extremidade quando era trabalhada. As contas evocam também o "fogo sagrado", símbolo de fidelidade a um ideal.
Baden-Powell dirigiu o primeiro curso em Gilwell Park, dando a cada um dos participantes uma das contas do colar, dando assim algo de significado maior do que um diploma ou certificado.
A correia tem as suas extremidades unidas por um nó de aselha e, em cada ponta, fixadas as contas por um cote de uma volta. Quando a correia possuir duas contas, uma em cada ponta, significa que o seu portador é Escoteiro-Chefe com a Insígnia da Madeira concluída. Três contas, uma numa ponta e duas noutra, significa que o seu portador é Adjunto de Director de Formação. Quatro contas, duas em cada ponta, refere-se ao Director de Formação. Seis contas são destinadas ao Diretor de Gilwell Park.